Blog da turma de Publicidade e Propaganda Noturno-ECA-USP
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Sexta-feira, Janeiro 21, 2005
Trabalho do Citelli, João e o pé de Feijão.....
Este trabalho consiste na análise dos instrumentos retóricos utilizados pelo autor do texto a ser estudado, demonstrando de forma objetiva e clara os motivos de se utilizar tais artifícios e ferramentas. Cabe, porém, primeiramente uma breve explanação do porquê de escolhermos os textos persuasivos para realizar esta explanação e o motivo específico do texto escolhido neste trabalho que agora tem em suas mãos.
O texto persuasivo é onde encontramos mais fácil e claramente a retórica. Tendo desta forma explicado o primeiro dos ¿porquês¿ citados no parágrafo anterior, iniciarei a explicação dos motivos que me levaram a escolher o texto: João e o pé de feijão.
O motivo principal é o fato de eu desconhecer qualquer veterano que já tenha cursado a disciplina do mestre Citelli e que pudesse me doar, de bom grado, um trabalho já realizado e bem avaliado, de forma que eu apenas trocasse o nome do aluno e me visse liberado da obrigatoriedade de me esforçar em pensar sobre este assunto. Sendo assim tentei tonar este trabalho o mais divertido possível e nada mais divertido do que lembrarmos de nossa infância e analisarmos comportamentos e idéias que tínhamos e que hoje podem ser vistas com outros olhos, mais maduros. O último motivo é fato das fábulas serem altamente persuasivas e, em sua maioria, defenderem, de forma extremamente radical, uma das partes, num jogo maniqueísta muitas vezes mal explicado e agressivo. Por ser utilizado em crianças, esse discurso se torna ainda mais envolvente pois é a partir desse conhecimento, adquirido nos livros, que a criança forma sua base teórica para análise e discussão de textos posteriores, porém, por ser esse um dos primeiros contatos com os textos persuasivos, a criança não consegue avaliar o que é verdade e o que é mentira, o que é certo e o que é errado e nem mesmo pode avaliar se essas 4 vertentes que acabei de citar são as únicas (e sabemos que não são pois essa é, também, uma visão bipolar das possibilidades de entendimento de um texto) ou se há outras possibilidades dentro do texto.
Tentando mostrar o quanto os autores de fábulas podem ser verdadeiros ¿terroristas¿ em suas idéias, e o quanto algumas histórias, apesar de tentar o contrário, acabam mostrando o lado negativo das pessoas como sua maior qualidade, eis o texto que analisaremos. A história é do conhecimento de todos, mas a versão que será utilizada para análise é exatamente essa:
"No tempo do Rei Alfredo, muito longe de Londres, vivia uma pobre viúva. Ela tinha um único filho, que era muito rebelde e extravagante. Aos poucos, ele gastou todo o dinheiro que ela possuía. Um dia, pela primeira vez na vida, censurou-o:
- Filho malvado!!! Não tenho mais dinheiro nem sequer para comprar um pedaço de pão. Só o que me resta é a minha pobre e velha vaca.
João tanto amolou a mãe para vender a vaca, que ela acabou consentindo. Quando ele ia levando o animal, encontrou um açougueiro que lhe propôs trocar a vaca por uns grãos mágicos de feijão que ele levava no chapéu. João, julgando ser isso uma grande oferta, aceitou a proposta e voltou para casa. Quando sua mãe viu os feijões por que ele havia trocado a vaca, perdeu a paciência. Apanhou os grãos de feijão, atirou-os para fora da janela, e pôs-se a chorar. João tentou consolá-la, mas não o conseguiu. Como não tinham nada para comer, foram deitar-se com fome.
No dia seguinte, João acordou cedo e viu que alguma coisa estava fazendo sombra na janela de seu quarto. Levantou-se, desceu as escadas e foi ao jardim. Aí verificou que os grãos que sua mãe havia atirado pela janela, tinham germinado e o pé de feijão crescera surpreendentemente. As hastes eram grossas e tinham-se entrelaçado como uma trança. Estavam tão altas, que davam a impressão de alcançarem as nuvens. João, que gostava de aventuras, resolveu trepar na árvore que se formara, até atingir o alto. Depois de levar algumas horas subindo, chegou a um país estranho. Ali encontrou uma bonita moça, elegantemente vestida, e com um sorriso encantador lhe perguntou como havia chegado até lá e ele lhe contou que subira pelo pé de feijão.
A moça lhe contou que ali vivia um gigante que foi amigo do pai de João, mas que o havia traído e por isso a amizade se acabou.
João perguntou-lhe o que devia fazer:
- Vá seguindo por esta estrada até encontrar uma casa grande, parecida com um castelo. É aí que o gigante vive. Então, aja de acordo com seu próprio modo de pensar. Seja bem sucedido... boa sorte!
A fada desapareceu e João caminhou até o sol se pôr. Com grande alegria, avistou a casa do gigante. Uma mulher de aparência simples estava à porta. Ele pediu-lhe um pedaço de pão e um lugar para dormir. Ela ficou muito surpresa e disse que não era comum aparecer ali um ser humano. Era sabido que seu marido, um gigante poderoso, não gostava de pessoas rodando perto de sua casa e ficava muito bravo... João ficou muito amedrontado, mas teve esperança de que o gigante não fosse tão ruim assim. Insistiu para que a mulher o deixasse passar a noite lá, escondendo-o do gigante. Finalmente, ela concordou. Entraram e ela o levou a um quarto, onde lhe deu de comer e beber. De repente, ouviram uma batida forte na porta, que fez a casa estremecer.
- É o gigante, disse a moça. Se ele o vir aqui, o matará e a mim também. Que farei?
- Esconda-me no forno, pediu João.
O forno estava apagado e João entrou nele bem depressa. De lá ouvia o gigante gritar com a mulher e repreendê-la. Depois, sentou-se à mesa. João espiou por uma fenda no fogão e ficou horrorizado ao ver a quantidade de comida que ele ingeria. Tinha-se a impressão de que não ia acabar mais de comer e beber. Quando terminou, virou-se para trás e gritou para a sua mulher, com uma voz de trovão:
- Traga a minha galinha!
Ela obedeceu e colocou sobre a mesa uma bonita galinha.
- Ponha um ovo! ordenou ele.
Imediatamente, a galinha pôs um ovo de ouro.
- Ponha outro! continuou ele.
Cada vez que assim ordenava, ela punha um ovo maior do que o outro. Durante muito tempo, assim se divertiu com a galinha. Depois mandou a mulher para a cama e sentou-se perto da lareira, onde adormeceu, roncando alto como um canhão. Assim que ele pegou no sono, João saiu do forno, agarrou a galinha e fugiu com ela. Correu pela estrada até encontrar o pé de feijão, pelo qual desceu rapidamente. Sua mãe ficou cheia de alegria ao vê-lo. Ela pensara que lhe tivesse acontecido alguma coisa.
- Nada disso, Mamãe! E lhe contou toda a aventura, sem todavia falar no nome do pai. Mostrou-lhe a galinha, à qual ordenou várias vezes: "-Ponha um ovo!" e ela pôs quantos ovos ele desejou. Vendidos esses ovos, João e sua mãe ficaram com tanto dinheiro, que viveram felizes por muitos meses.
Um dia, ele resolveu fazer nova visita ao gigante, a fim de trazer mais riquezas. Arranjou uma roupa que o disfarçava e pintou o rosto com uma tinta escura. Levantou-se muito cedo, antes que a mãe acordasse e subiu pelo pé de feijão. Caminhou o dia todo e chegou à casa do gigante ao escurecer. Encontrou a mesma mulher à porta e pediu-lhe que lhe desse de comer e um lugar para dormir. Ela lhe contou que o marido era um gigante poderoso e cruel, e que um dia, ela dera abrigo a um menino pobre e faminto que, ingrato, roubara um dos tesouros do gigante. O marido culpara-a por isso e, desde então, começara a maltratá-la. João teve muita pena dela, mas insistiu para que o recebesse. Afinal, ela acabou consentindo. Levou-o à cozinha e, quando ele acabou de comer, escondeu-o num armário velho. O gigante chegou à hora de costume. Pisava tão forte que a casa estremecia sob seus passos. Sentou-se junto à lareira e gritou:
- Mulher, sinto cheiro de carne fresca.
A esposa respondeu-lhe que os corvos tinham deixado um pedaço de carne crua no telhado. Enquanto ela preparava a ceia, ele esteve de mau humor, freqüentemente culpando a esposa pela perda da galinha. Afinal, quando terminou a refeição, gritou:
- Dê-me alguma coisa para distrair-me. Traga minhas sacas de dinheiro.
A esposa trouxe-as, com dificuldade, porque estavam muito pesadas. Eram duas, cheias de moedas de ouro. Ela despejou-as na mesa e o gigante começou a contá-las com alegria.
- Agora você pode ir para a cama, sua velha tonta, disse ele, e a mulher se retirou.
De seu esconderijo, João via-o contando as moedas e desejou possuí-las. O gigante, sem saber que estava sendo observado, colocou as moedas novamente nas duas sacas. Amarrou-as bem e colocou-as ao lado da sua cadeira. Seu cachorro estava ali de guarda. Daí a pouco, o gigante adormeceu e começou a roncar tão alto que parecia o barulho do mar em dia de tempestade.
Então, João saiu do esconderijo, mas, exatamente quando ia segurando as sacas de dinheiro, o cachorro pôs-se a latir furiosamente. João parou, esperando que seu inimigo acordasse e, então... estaria tudo perdido!!! Mas felizmente, isso não aconteceu: o gigante continuou a dormir profundamente. Neste instante, João viu um pedaço de carne e atirou-o ao cão, que parou de latir na hora. O menino aproveitou a ocasião para carregar as sacolas de moedas, colocando-as uma em cada ombro. Eram tão pesadas, que ele levou dois dias para descer pelo pé de feijão. Quando chegou a casa, deu à mãe todo o dinheiro, com o qual ela reformou a vivenda e mobiliou-a de novo. Eles estavam felizes como não eram havia muito tempo.
Durante três anos, João procurou não visitar mais o gigante. Um dia, porém, começou a preparar-se para nova viagem. Arranjou um disfarce diferente e melhor do que o usado da última vez. Era verão e em uma manhã bem cedo, sem dizer nada à mãe, subiu pelo pé de feijão, chegando à casa do gigante ao anoitecer. Como de costume, encontrou a mulher em pé, na porta. João estava tão bem disfarçado que ela não o reconheceu. Mesmo, quando se disse muito pobre e faminto, encontrou grande dificuldade em ser admitido. Depois de muito insistir, conseguiu que ela o escondesse num caldeirão grande de cobre. Quando o gigante chegou, disse furioso:
- Sinto cheiro de carne fresca!!!
Apesar de todas as desculpas que a esposa lhe dava, pôs-se a revistar tudo. João estava horrorizado, desejando mil vezes ver-se em casa, são e salvo. Quando o gigante chegou ao caldeirão e pôs a mão na tampa, João considerou-se morto. Mal ele começara a levantar a tampa, mudou de idéia, deixando-a cair. Foi sentar-se perto da lareira, para devorar a grande ceia. Quando acabou, deu ordens à mulher para trazer-lhe a harpa. João espiou pela tampa do caldeirão e viu a harpa mais original que podia imaginar. o gigante colocou-a sobre a mesa e disse:
- Toque!!!
Imediatamente ela começou a tocar uma linda música e João desejou apoderar-se dela, mais do que qualquer outro tesouro do seu inimigo. O gigante não era apreciador de música. A harpa embalou-o, fazendo-o dormir mais cedo do que de costume. Assim que João verificou que estava tudo bem, saiu do caldeirão, pegou a harpa e saiu correndo. Entretanto, a harpa era encantada e, assim que se viu em mãos estranhas, pôs-se a gritar alto:
- Patrão!!! Patrão!!!
O gigante acordou, levantou-se e viu João correndo.
- Oh!!! Você, vilão!!! Foi você quem roubou minha galinha, meu dinheiro e agora vai levando minha harpa!!! Espere aí que eu vou pegá-lo e fazer picadinho de você!!! - ameaçou ele em seu vozeirão de trovão.
- Muito bem, experimente!!! desafiou João.
Ele sabia que o gigante havia comido tanto que mal podia ficar de pé, imagine correr atrás dele. Por outro lado, ele era jovem, tinha pernas ágeis e a consciência tranqüila, o que muito ajuda o homem a caminhar com facilidade. Assim, num instante, chegou ao pé de feijão e foi descendo o mais depressa que pode. A harpa ia tocando uma suave canção.
Chegando em casa, encontrou sua mãe chorando, muito preocupada. Ele a consolou e pediu-lhe que fosse buscar, depressa, uma machadinha. O gigante já vinha descendo e não havia tempo a perder. As más ações do monstro tinham, porém, chegado ao fim. João cortou o pé de feijão bem na raiz. O gigante caiu de cabeça no jardim e morreu imediatamente. Nesse momento, apareceu a fada que explicou tudo à mãe de João e eles puderam assim continuar a cuidar da vida e da fazenda, nunca mais faltando dinheiro para comer, e João sentiu-se também muito feliz por ter ajudado sua mãe e deixado de ser extravagante e inconseqüente.¿
O primeiro parágrafo do texto pode ser chamado de explanação. É onde o autor situa o leitor na realidade dos personagens, mostra um visão geral da vida de João (doravante chamado também de Jão) e sua mãe. Assim como o exórdio de meu trabalho, esse trecho do texto visa apenas situar o leitor naquilo que será o ¿palco¿ da história.
O texto se baseia numa argumentação lógica colocada sobre relações co-textuais e contextuais. A argumentação lógica se dá mesmo sabendo da não existência da lógica nos fatos descritos no texto. Vemos um exemplo de argumentação lógica em trechos como ¿É o gigante, disse a moça. Se ele o vir aqui, o matará e a mim também¿. É fácil ver que, se o gigante matará João se o encontrar, sendo que João nada fez para o Gigante, este Gigante é logicamente mau e perigoso. Por ser grande demais, ele é perigoso para outros seres menores. Nesse momento, temos uma argumentação paralógica sendo colocada. O gigante é grande e perigoso para os seres menores. Jão é um ser menor que o gigante, logo, o gigante é perigoso para João.
É a partir daqui que a retórica define os dois lado da história. Com essa argumentação simples, facilmente entendida pelas crianças. A informação é plantada de forma direta, sem a necessidade de pensamentos complexos e utilizando de dois elementos principais para mostrar o lado bom e mau: o nome e o tamanho.
O nome, pois o lado bom é João, ele possui um nome, uma identidade. O lado ruim é o Gigante. Apenas uma classificação, mas já define quem deve ser o exemplo e quem é o lado negativo. O tamanho serve para marcar de forma clara esses dois lados. O grande, impiedoso, mais forte e quase invencível é o lado mau. Isso porque normalmente torcemos para o lado mais fraco, humilde e em dificuldades. As crianças definem essa história como o gigante mau (grande e malvado) e João, o coitadinho bonzinho. E é esse o objetivo do autor ao usar essas duas figuras. Essas duas são também relações contextuais, pois em muitos momentos, nas fábulas e histórias infantis, o gigante é o homem malvado. Essa é uma espécie de metáfora de que aqueles que possuem muito poder não possuem um bom caráter.
Durante o texto todo e principalmente em seu início é criada uma atmosfera que nos faz querer que João consiga alcançar seus objetivos. Ele é um rapaz que possui problemas (extravagante), sua mãe está velha e pobre, eles perderam sua única vaca em troca de feijões. Dessa forma temos uma pessoa sofrida e ninguém, muito menos uma criança, achará certo que uma pessoa sofra enquanto outra (o Gigante) come enormes quantias de comida e possui ovos de ouro para satisfazer seus desejos materiais. Essas ferramentas retóricas são as armas de persuasão do autor para que sua visão da história seja considerada correta.
Veja nesse trecho como as palavras são usadas de forma a convencer o leitor a torcer por João
Falso Hipócrita talhou a pedra às 2:15 PM
"No tempo do Rei Alfredo, muito longe de Londres, vivia uma pobre viúva. Ela tinha um único filho, que era muito rebelde e extravagante. Aos poucos, ele gastou todo o dinheiro que ela possuía. Um dia, pela primeira vez na vida, censurou-o¿
Os adjetivos utilizados dão a Jão uma situação inferior. Essa situação inferior é utilizada da mesma forma que hoje, nas campanhas políticas, utilizamos os pobres como forma de sensibilizar os eleitores. A tendência inconsciente da maioria das pessoas pensar em igualdade, mesmo que isso não seja praticado. A injustiça é algo que nos aborrece. A injustiça no caso de João é personificada, não por ele mesmo, como também pela senhora que vive com o Gigante. Maltratada, quase escravizada e desrespeitada pelo Gigante, ela é representa um outro tipo de injustiça. Enquanto João e sua mãe não possuem alimentos e dinheiro, a mulher do Gigante perdeu sua dignidade e não é mais respeitada. E essas duas visões são demonstradas através dos trechos: ¿João espiou por uma fenda no fogão e ficou horrorizado ao ver a quantidade de comida que ele ingeria¿, ¿Depois mandou a mulher para a cama (...)¿, ¿O marido culpara-a por isso e, desde então, começara a maltratá-la.¿
Um rapaz sem dinheiro, com uma velha mãe pobre e uma senhora maltratada pelo marido. Elementos que fazem parte da cultura de todos os povos e causam o desejo por justiça. O objetivo das fábulas é ensinar o comportamento social correto às crianças. Isso envolve o respeito pelos mais velhos (a mãe de João), a igualdade entre as pessoas (O Gigante Ter muita comida e João não Ter é ruim) e o tratamento justo a todos (não desrespeitar a mulher). Elementos colocados estrategicamente no texto para designar o lado bom (João) e o lado mau (Gigante).
O adjetivo é o básico para que o autor consiga delimitar os campos de atuação dos sentidos que ele deseja dar ao texto. A mudança de um adjetivo, posto que o texto não é complexo já que é feito para crianças, pode mudar a imagem do texto. É óbvio que João ficou espantado com a quantidade de comida do Gigante, pois o Gigante certamente, por seu tamanho come muito mais do que João. Isso não significa que o Gigante coma mais do que o necessário para um Gigante. Mas o uso dos adjetivos dá a impressão de que o Gigante é um glutão, que come o tempo todo e que é voraz quando se trata de comida. ¿João espiou por uma fenda no fogão e ficou horrorizado ao ver a quantidade de comida que ele ingeria.¿ O adjetivo horrorizado é o responsável por essa imagem negativa do Gigante.
Esse texto não gera discussão, não gera hipóteses ou qualquer tipo de debate nas crianças. Ele se apresenta como verdade e não pode ser negada. É uma espécie de postulado, aceito sem provas.
Mas é importante que fique claro que isso se dá porque as crianças não estão, ainda, preparadas para fazer julgamentos de ética e moral, pois a ética e a moral estão sendo formadas pelas crianças nesse período e esses são os textos e conhecimentos que formarão esses princípios básicos de relacionamento e atitudes.
- Cabe aqui uma crítica social. As fábulas contadas para as crianças não são analisadas por seus pais. E a influência causada por elas são grandes e podem delinear parte do estio e comportamento das pessoas dali por diante. (Fim da crítica social) -
Não analisaremos todo o texto, sendo que já ficará extremamente claro o poder e a forma de utilização da retórica e da persuasão apenas com alguns trechos do texto. Porém é importante ter o texto completo para seguirmos com a análise pois o sentido final do texto e o engendramento de frases é importante para a criação do sentido.
Vemos que está é uma fábula que não pode ser encaixada nos gêneros Aristotélico, Poppiana e a fábula de Massas. Primeiramente definimos cada uma delas e depois explicarei onde que cada uma dessas teorias é quebrada pela fábula em questão:
Aristóteles propôs um modelo de fábula que pode ser resumido em duas regras básicas: unidade de tempo, ação e espaço e divisão em partes: prólogo, complicação, clímax, desenlace e epílogo.
Essas duas regras definem a fábula aristotélica.
A fábula de João e o pé de feijão não possui uma unidade de tempo e ação. Ao contrário de outras fábulas, como a dos 3 porquinhos, em que tudo acontece no mesmo tempo e espaço, em João e o pé de feijão, há muito tempo decorrido e é necessário contextualizar as diferentes ações.
Propp estudou a estrutura dos contos folclóricos russos e concluiu que eles seguiam algumas regras. Veja abaixo um resumo das regras:
A fábula começa com uma situação de status quo equilibrado.
O dano é uma ação que desequilibra o status quo perfeito.
O herói é convocado para restaurar o status quo reparando o dano.
O herói passa por uma ou mais provas qualificatórias.
O herói recebe a ajuda do coadjuvante.
O herói parte para o território inimigo na intenção de reparar o dano.
O herói defronta-se com o inimigo em várias pelejas que antecipam a peleja final.
O herói enfrenta a peleja final quando, então, recupera o bem que havia provocado o dano.
O herói bate em retirada fustigado pela perseguição do inimigo.
O herói vence o inimigo e deixa o território inóspito.
O herói chega à sua terra natal mas não é reconhecido.
O herói peleja com os usurpadores e os derrota.
O herói é reconhecido.
Restabelece-se o status quo original.
No caso de João, não havia equilíbrio no início, ele não foi chamado para resolver o problema, o problema e ele se ¿encontraram¿ por acaso. O herói não recupera bens perdidos, o herói é sempre reconhecido por sua mãe e o status final é diferente do inicial. Esse tipo de narrativa lembra o mito de Ulisses.
A narrativa de massa é um pressuposto metodológico. Não há de ser encontrada com todos os seus elementos de caracterização. Resume as características formais típicas da narrativa com largo espectro de aceitação, que vem sendo usada exaustivamente na literatura de massa e em outras modalidades narrativas. As características são:
Presença das seguintes partes: prólogo, desencadeamento, desenvolvimento, complicação, clímax e epílogo
Unidade de ação
Unidade de caráter dos personagens
Causalidade
Necessidade
Verossimilhança interna
Continuidade
Desencadeamento com objetivo a atingir
Ter um falso final
Ter um anticlímax
Na seqüência complicação clímax deve ter uma inversão de tendência
Imprevisibilidade
Envolvimento
Presentificação
Final condizente com o envolvimento
Sociabilidade
Maniqueísmo
Abundância de ação e emoção
Background otimizado para o público-alvo
Em João e o pé de feijão não há unidade de caráter do personagem, que mente, se disfarça mas ao mesmo tempo é bondoso com a mãe, não há unidade de ação e não há anticlímax. Esse tipo de mensagem pode ser encontrada em O Patinho feio.
Portanto não há uma definição específica do modelo de fábula que João e o é de feijão segue, mas há uma tendência seguida pela maioria das fábulas: a moral.
A moral de João é o pé de feijão é: ¿ sempre devemos lutar e acreditar que as coisas podem ser melhoradas através da fé e do trabalho., não aceitando as adversidades¿
Dessa mesma forma vemos essa moral nas fábulas dos 3 porquinhos, O patinho feito e João e Maria.
Os 3 porquinhos só conseguem se livrar do lobo pois acreditam que podem vencê-lo e trabalham para construir suas casas da melhor maneira possível. Eles não deixam de acreditar na vitória e não se abatem com as adversidades.
Da mesma forma o Patinho Feio continua se esforçando para fazer parte de sua família e ser aceito, acredita que com seu esforço poderá mudar seu destino.
João e Maria se esforçam de tal forma que conseguem enganar a velha bruxa e se salvar, eles não desistiram embora o perigo fosse iminente.
Isso se chama redução, ou seja, você simplifica ao máximo o sentido, de forma a passar uma única mensagem, uma única visão, mais facilmente aceita, com menor probabilidade de ser refutada.
Os textos persuasivos, como as fábulas, podem ser atemporais, pois se encaixam em qualquer tempo. Nas fábula, por serem princípios básicos a serem ensinados, as fábulas podem ser atuais, mesmo tendo sido escritas há mais de 30 anos. Se pensarmos no gigante como os países dominantes, ou os Estados Unidos, podemos facilmente relacionar João aos países subdesenvolvidos, e se quisermos ir mais longe, dizer que a queda das torres gêmeas, comparando-a com a queda do pé de feijão, pode ser o final do império Norte-americano.
Assim como podemos dizer que o Gigante representava o comunismo e que João representava o capitalismo, a vontade e o esforço e que a queda do pé de feijão, relacionando-a à queda do muro de Berlim, é a vitória do capitalismo sobre o comunismo.
Numa mesma história podemos encontrar metáforas completamente antagônicas. Embora o texto crie uma moral ideal, bastante diferente do real, a idéia central é a de que se todos pudessem seguir as regras passadas na fábula, a sociedade seria perfeita. A realidade é que todos sabem que isso é verdade, e que se todos se comportassem dessa forma, talvez o mundo fosse realmente um lugar mais justo. Mas ninguém se comporta dessa forma, apesar de ter plena consciência de que o comportamento está correto. Isso acontece justamente por termos como trabalhar a idéia da metáfora e, inconscientemente, entendemos a mensagem de forma a fazer com que o nosso comportamento esteja dentro do comportamento ideal passado pelo texto.
Isso demonstra o ponto central da discussão sobre qualquer forma de texto, principalmente o persuasivo, e toda forma de retórica. Apesar dos inúmeros ¿truques¿ e técnicas retóricas utilizadas, foi sempre enfatizado o fato de que isso funciona porque as crianças não conseguem discutir ou não possuem conhecimentos suficientes para avaliar o que lhes é passado. Isso também acontece quando se lê e aceita sem avaliação do conteúdo.
O que é importante ressaltar é: não há retórica que convença ou deixe de convencer sem que haja participação ativa do receptor da mensagem.
Todo texto ou discurso possui uma técnica retórica, um ethos, um patos e um logus que influenciam no seu comportamento sobre aquele texto, porém se o receptor estiver atento e discutir ou refletir sobre o discurso, essas técnicas podem ser anuladas. Talvez possam até ser mais eficientes.
O receptor, o emissor, o meio e a forma de enviar uma mesma mensagem são essenciais para que a mensagem seja passada corretamente.
A técnica retórica funciona muito melhor quando o público não espera por esse tipo de recurso. Todo texto carrega consigo a ideologia do autor e isso é impossível de ser retirado de um texto, porém, é claro que essa ideologia pode ser debatida pelos receptores, desde que estes entendam o assunto tratado e possam discutir de forma clara o tema.
E essa dualidade existente na metáfora, que consiste em uma possibilidade maior de participação do receptor na construção do sentido não deveria ser encontrada no texto jornalístico, que teoricamente conta somente a verdade, mas pelo motivo citado anteriormente de todo texto carregar a ideologia do autor conseguimos perceber em pequenos detalhes o posicionamento do autor da reportagem. Vejamos como seria um texto jornalístico sobre João e o pé de feijão.
Gigante Malvado morre após incidente com morador do campo.
O jovem João plantou seus feijões mágicos no quintal de sua casa e subiu por eles até encontrar a casa do Gigante Malvado. Com fome, pediu um pouco de comida para a mulher do Gigante. Quando o gigante chegou, tentou matar João e comê-lo, mas João fugiu rápido e conseguiu escapar pelo pé de feijão. O gigante ameaçava a mãe e a casa de João quando este se armou com seu machado e derrubou o pé de feijão. Com a queda do pé de feijão, o gigante acabou morrendo também. Agora João e sua mãe passam bem.
Repare que João é um injustiçado, que pediu comida e foi agredido por um Gigante que não possuía motivo nenhum para atacá-lo. Essa história é um resumo da história original, contada da forma como é esperado que nós pensemos. O Gigante mau tenta agredir João sem motivo. Porém, há outras formas de interpretar essa história. Vejamos:
Assassino rouba a casa e mata o dono. Sem punição.
O Gigante estava trabalhando quando, há alguns anos roubaram sua galinha dos ovos de ouro. Agora, após algum tempo, o mesmo ladrão voltou à casa do Gigante e roubou suas moedas de ouro e sua arpa. O Gigante, vendo o meliante fugir com seus pertences, perseguiu o ladrão, mas foi assassinado ao tentar recuperar seus bens. O ladrão está foragido.
Nada mais justo, pois se formos analisar a fundo a história, é isso mesmo que acontece.
O Gigante estava fora de sua casa, João entrou em depois de se esconder, roubou a galinha dos ovos de ouro que era de propriedade do Gigante. Fugiu com a galinha do Gigante e ficou rico com os ovos de ouro. Não satisfeito com sua riqueza infinita, voltou à casa do Gigante, disfarçado e usando de má fé para conseguir entrar, e roubou suas moedas de ouro. Veja o tamanho da ganância de João: ¿João via-o contando as moedas e desejou possuí-las¿
Mais que isso, João volta à casa do Gigante e rouba também sua harpa. ¿João desejou apoderar-se dela, mais do que qualquer outro tesouro do seu inimigo.¿ . O Gigante é tratado como inimigo de João, mas é João que foi até a casa do Gigante para pegar sua galinha, seu ouro e sua harpa. O Gigante, que até aquele momento havia sido rude com sua mulher, mas nunca havia feito nada de errado, apenas comia muito, pois era um gigante e assim era necessário, é tratado como um homem mau, mesmo não tendo dado nenhum motivo para que se pensasse isso.
E por tentar defender sua propriedade e impedir que João, o ladrão, leve seus bens embora ele é considerado, mau, injusto e é assassinado, sendo que a morte dele é um alívio e João não termina a história nem mesmo com a consciência pesada. E o Gigante é o Mau.
Bondoso é João, que mente, gasta o dinheiro da mãe, troca sua vaca por feijões, rouba a galinha do Gigante, rouba as moedas do Gigante, é ganancioso, rouba a harpa do Gigante, se disfarça e engana a mulher do Gigante, não conta a verdade para sua mãe, tem a ajuda de uma fada tão cínica quanto ele, mata o Gigante e só se preocupa em possuir os bens que o Gigante possuía.
Tudo isso está escrito no texto, mas a forma de se escrever esse tipo de texto, as relações co-textuais inseridas nas frases dão a impressão de que o Gigante, não merece ficar vivo.
É uma forma utilizada para manipular as informações de acordo com o que é mais válido para o autor do texto. Dessa forma, os textos podem ser modificados mostrando partes interessantes e escondendo partes menos interessantes para o autor. Isso não significa mentir ou deixar de contar a verdade, mas demonstrar a sua visão sobre as verdades.
Assim como jornalistas fazem isso, oradores, políticos, autores de textos quaisquer podem fazer. Assim como eu mesmo fiz nesse trabalho.
Ao definir o texto que seria utilizado, coloquei o texto da forma que preferi e assim pude excluir partes. Assim com eu, maquiavelicamente, exclui a parte em que diz que o Gigante matou e roubou o pai de João. E por isso João tem um ¿pseudo-direito¿ de recuperar seus bens junto ao Gigante. Mas, achei por bem deixar essa parte de fora do texto até agora a fim de possibilitar a explicação da utilização da retórica para modificar sentidos e interpretações. Na verdade João mata o Gigante por vingança. Nem por isso ele passa a Ter razão, mas ele é absolvido no julgamento popular. Ao excluir um frase simples do texto, pude transformar João em um dos piores tipos de seres existentes. Assim funciona a retórica e a manipulação da arte textual. Aqueles que dominam essa técnica possuem a vantagem de serem os únicos com a possibilidade de enganar aqueles que lêem seus textos. Os que não possuem essa qualidade podem até escrever textos recheados de ideologias, mas talvez não consigam convencer de forma tão intensa seus leitores.
Falso Hipócrita talhou a pedra às 2:15 PM
Quarta-feira, Dezembro 15, 2004
lebrun é um viadinho
Falso Hipócrita talhou a pedra às 8:14 PM
Falso Hipócrita talhou a pedra às 8:12 PM
Falso Hipócrita talhou a pedra às 8:11 PM
Falso Hipócrita talhou a pedra às 8:10 PM
Falso Hipócrita talhou a pedra às 8:03 PM
Falso Hipócrita talhou a pedra às 8:02 PM
Falso Hipócrita talhou a pedra às 8:01 PM
Falso Hipócrita talhou a pedra às 8:00 PM
Falso Hipócrita talhou a pedra às 7:59 PM
Sexta-feira, Outubro 22, 2004
A Publicidade sofre de um grande problema... o problema da mídia. O que acontece.. a mídia chega e fala pra criação... o target é esse , e esse e esse... faça uma peça pra eles.. eles compram isso., gostam daquilo, não querem falar sobre isso e ñao suportam isso...
Aì a criação, limitada pela mídia, diz... porra, mas assim é foda... e a mídia responde... foda-se... é assim..
entãoa criaçaõ fai lá e fala.. essas pessoas... ñao gostam desse vocabulário, vaoms trocar... essas pessoas não gostam de humor... vamos trocar.. elas gostam de argumentos de autoridades... vamos colocar uma... e .. pronto.. tempos a propaganda da OMO...
Alguém, no mundo, gosta da propaganda do Omo??
não.. mas para a mídia, o público alvo da omo gosta... apesar de que nunca ninguém fez uma propaganda que quebrasse o padrões de sabão em pó pra testar se esse "target" não gostaria tbm...
E o que isso tem a ver?? tem a ver que o público alvo é igual àquela menina gostosa, com cara de séria, com jeito de crente...
você quer dar uns pega na menina, mas nem sabe como chegar perto dela...
então vc é superficial.. chega e fala só o básico.. sem querer nada...
sem falar nada que pudesse ofender.. falso.. fala aquilo que vc acha que ela quer ouvir..
....e ela ouve...
mesmo que não dê muita atenção..
aí você conhece melhor, e depois disso começa a falar melhor ainda o que vc acha que ela quer ouvir...
e vc quer transar com ela, mas não fala nada.. acha que ela não vai gostar, que vc vai pular etapas etc...
então vc fica quieto, agindo do mesmo jeito...
até que vem um amigo seu, meio bêbado, dá em cima dela, leva ele embora, trepa com ela no beco, e ela adora e grita.. enfia no meu cu... enfia no meu cu... me come..me come...
e vc não acredita que aquilo seja possível....
mas é.. por trás daquela imagem, no fundo, estava uma devassa tarada....
é a mesma coisa.. atrás dessa imagem que temos de que o público não vai gostar... isso é impublicável... ninguém aceitaria isso..
temos um público que talvez goste muito da propaganda escrachada, estilo crazy people... mas que nem sabe disso pq nunca ninguém fez.. e as propagandas que chegaram mais perto disso, sempre fizeram sucesso..
mas ninguém, seja nas agências, seja na faculdade, permitem que um anúncio mais estranho seja feito..
com certeza a foto da zilda arns com o peito de fora é chocante... ams faria um impacto muito grande... maior do que as magrela da zoomp de perna aberta... é tudo uma questão de procução bem feita.
mas o uqe acontece?? dizem... não á.. isso não pode ser publicado...
O que será que falaram quando o olivetto falou que ia colocar o carlos moreno, feio, magrelo, viado e escroto, vestido de coisas esdrúxulas pra falar de uma palha de aço que não tinha concorrência nenhuma???
talvez tenham falado.. esse filho da puta tá maluco... mas deixa ele...
foda-se.. taí o que acontece....
Sucesso do bom bril..
mas sempre querem que continuemos na mesma....
é ...
é assim mesmo..
então vamos continuar falando da logística da kibon
Falso Hipócrita talhou a pedra às 3:48 PM
Quarta-feira, Setembro 01, 2004
"O sonho acabou." - Rodrigo Ypsílon
É isto mesmo? Terminamos assim? Sujos, fodidos e mal pagos? Vamos realmente aceitar este fim-clichê de muitas entidades de sucesso?
Sento e choro.
Vina talhou a pedra às 11:04 PM
Quinta-feira, Agosto 12, 2004
De fato, presenciamos aqui o inegável: ruína. Por quê? Por que tal precariedade de onde antes a mão-de-obra qualificada e barata era abundante? Por que tanta aridez dond'antes havia tamanha prosperidade? Por que destas fontes secas ding'dong'dond'antes avistava-se infindável fartura?
Boi, salve-me.
Mono, não. Tô di mal! (É mentira, mas vamos brincar de verdadinha, ok?)
Vina talhou a pedra às 2:58 AM
Terça-feira, Agosto 03, 2004
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Falso Hipócrita talhou a pedra às 9:56 AM
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